Genoma do Rock - Piano Blues: O piano andou bebendo...


O piano andou bebendo. O carpete precisa de um corte de cabelo. O telefone está sem cigarros. O segurança é um lutador de sumô, e o dono é um anão retardado com o QI de uma tábua. O piano andou bebendo, o piano andou bebendo... Não eu.

Nos versos de Tom Waits, começo o segundo capítulo do projeto Genoma do Rock! Antes o assunto foi o blues, o princípio do princípio. Uma década depois o gênero passou pela sua primeira evolução significativa. Entramos na era do piano blues.

JUKE JOINTS E O PIANO

Muitas juke joints (se você não sabe o que é isso, volte para o capítulo do blues!) já estavam bem consolidadas, e começavam a passar por certas melhorias. Não por acaso, a aquisição de um piano para a casa era algo essencial.

Digo que não foi por acaso porque o piano vivia o seu auge de popularidade na virada do século. Muito dessa popularidade se devia a um estilo musical que não será abordado profundamente aqui, por não ter muita ligação com o rock. Mas apenas para pincelar, estou falando do ragtime.

O ragtime foi um gênero muito popular, liderado pelo piano, que surgiu nos idos de 1890. É considerado uma das primeiras formas de música ligadas aos Estados Unidos. O gênero começou como um acompanhamento de dança em comunidades afro-americanas, sendo influenciado por músicas derivadas da cultura africana.
Dedicado a ocasiões mais festivas, ao contrário do blues, a tendência do ragtime era ser mais alegre e mais dançante.
Ragtime, nem só de tristeza viviam os negros.

DE VOLTA AO BLUES

Ou seja, a evolução e sofisticação natural das juke joints, somada à febre do ragtime, fez com que o piano fosse parar nelas, dando sopa e pronto para ser tocado por qualquer um que tivesse vontade.

Tome cuidado ao imaginar um piano dentro de uma juke joint. Não estou falando de pianos maravilhosos, preparados para serem exibidos em uma festa de gala.
Os pianos que lá estavam eram de segunda mão, e em um estado de conservação bem questionável. O blues ainda era rústico e sem glamour.
“O piano não mudou a essência do blues. Ele ainda era um som basicamente melancólico e rústico. O blues é que mudou a essência do piano.”
Os nomes que mais se destacaram no desenvolvimento do piano blues foram Bessie Smith, Leroy Carr, Charles “Cow Cow” Davenport, e Ida Cox.

Bessie conseguiu vender mais de 750 mil cópias do seu single Down Hearted Blues / Gulf Coast Blues, sendo alçada ao status de estrela na época, ganhando o apelido de a Imperatriz do Blues. Teve como uma de suas tutoras a cantora Ma Rainey, e serviu de influência para muitas outras cantoras contemporâneas. Entre elas, Janis Joplin, uma admiradora declarada de Bessie Smith.

O PIANO LARGOU O ÁLCOOL

O piano blues foi fundamental para chegarmos até a música atual. Foi dele (e de outras fusões) que derivou o boogie woogie por exemplo. Entretanto, apesar do passado glorioso, o piano blues, na sua forma mais pura, é praticamente um gênero morto.
Se você acha que estou exagerando, me diz 10 álbuns do gênero lançados na última década.

Os anos dourados do piano blues, sem dúvidas, foram os anos 70. Tom Waits foi o principal nome do gênero, tendo Closing Time como grande álbum, lançado em 1973.
Outros grandes exemplos do estilo são Champion Jack Dupree (Blues From the Gutter, 1959), Otis Spann (The Biggest Thing Since Colossus, 1969), Ray Charles (The Genius Sings the Blues, 1961) e Memphis Slim (All Kinds of Blues, 1962).

O PRIMEIRO FILHO DO BLUES

Eis a história do primeiro grande filho do blues. O piano blues foi o segundo capítulo do Genoma do Rock e um integrante fundamental da espinha dorsal da música atual.

Ainda terei que voltar no passado para apresentar seus tios mais importantes, o jazz e o country. Deixo aqui minha mea-culpa por passar tão rápido pelo seu avô, o ragtime. Quem sabe um dia, quem sabe?

Reforço o convite para você navegar pela página do projeto e confira abaixo o vídeo com algumas passagens importantes do piano blues citadas ao longo desse texto.
Teoria sem prática não vale de nada!


GENOMA DO ROCK
Antecessores:
Blues
Sucessores:
Boogie Woogie
New Orleans Blues
Rhythm & Blues

Quem usa o Google Plus?

Sobre o Rock em Balboa

Depois de anos de estudo e dedicação à engenharia, percebi que era tudo um grande pé no saco. Joguei as coisas pro ar e fui para a ilha de Balboa (pode procurar no Google, ela existe!). Agora fico deitado na rede e ouço rock o dia todo.

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